Gigantes da tecnologia tentam dar mais privacidade a usuários, mas esbarram no próprio modelo de negócio

 Mark Zuckerberg no evento anual do Facebook na Califórnia — Foto: Stephen Lam/Reuters

As empresas de tecnologia costumavam ser recebidas com entusiasmo quando apresentavam um novo produto ou serviço. Mas já não é mais assim. Um exemplo foi o anúncio da Libra, a criptomoeda do Facebook, que deixou reguladores econômicos, governos e mesmo os consumidores ressabiados, questionando a entrega de detalhes financeiros para a rede social.
Pressionadas nos últimos tempos, as gigantes Google e Facebookanunciaram medidas recentes em favor de mais privacidade, mas ainda esbarram no próprio modelo de negócios, em que os dados dos usuários são uma "moeda" importante para traçar perfis e vender publicidade direcionada, dizem analistas ouvidos pelo Descomplicando a Tecnologia.
"Continuo curioso para ver até onde esses anúncios recentes [sobre privacidade] vão ser levados a sério e se vão eventualmente afetar essas empresas financeiramente, ou e se elas estão realmente buscando uma transformação em seu modelo de negócios", diz André Gualda, analista do laboratório de tendências da Ericsson.
Ele explica que a maioria dos serviços, tanto do Google quanto do Facebook, depende de anúncios e algoritmos que se alimentam de informações pessoais de seus usuários.
Na prática, segundo ele, existe uma troca: quanto maior a privacidade, menor o valor dos anúncios e a efetividade dos algoritmos.

0 Comentários:

Postar um comentário