O sonho de um carregador único para smartphone continua vivo, apesar das reclamações da Apple

Cabos com conector USB-C

O Parlamento Europeu está cansado de lixo eletrônico — em particular, o produzido por cabos de carregadores de smartphone. Para corrigir isso, legisladores estão debatendo uma medida que forçaria fabricantes a usarem uma porta padrão para carregamento de gadgets.
Esta não é a primeira vez que ouvimos este tipo de iniciativa vinda da Europa. A razão por que o microUSB é tão prevalente tem relação com 2009, quando a Comissão Europeia definiu o padrão como universal no continente. Mesmo a Apple, que é conhecida pelos seus carregadores proprietários, reconheceu e disponibilizou na Europa um adaptador microUSB.
Assim que a iniciativa expirou em 2014, legisladores europeus tentaram novamente forçar um carregador comum, reiterando que não seria inconveniente apenas para os consumidores, mas também limitaria a quantidade de lixo eletrônico. O único problema era que a iniciativa pedia uma “abordagem voluntária” — uma estratégia que, em um documento, o Parlamento Europeu disse que “não obteve os resultados desejados”. E, embora o documento não especifique exatamente que tipo de porta se deve usar, o USB-C é o candidato mais provável.
Idealmente, legisladores afirmam que o carregador comum seria capaz de encaixar em todos os telefones celulares, tablets, leitores de livros eletrônicos e outros dispositivos portáteis. Essa é uma ideia boa, sensível e ambientalmente correta. Dito isso, você provavelmente já conhece quem é contra a medida.
Em 2018, legisladores europeus realizaram uma avaliação de impacto inicial sobre a ideia de um carregador comum e pediram contribuições das fabricantes. Em janeiro do ano passado, a Apple fez a sua parte. Em seu comunicado, a empresa da maçã afirmou que “regulamentos que direcionam a conformidade por meio do tipo de conector incorporado a todos os smartphones congelam a inovação, em vez de incentivá-la. Essas propostas são ruins para o meio ambiente e desnecessariamente perturbadoras para os clientes”. A Apple afirmou ainda que quase 1 bilhão de dispositivos já foram enviados com o conector Lightning e citou o ecossistema de terceiros que surgiu ao criar acessórios para conectores Lightning. Exigir um padrão, afirma, “resultaria em um volume sem precedentes de lixo eletrônico e incomodaria bastante os usuários”.
A Apple citando inconveniência e desperdício como uma razão para não adotar um novo padrão, que não seja o Lightning, é irônica, para dizer o mínimo. A mudança do conector de 30 pinos para o conector Lightning em 2012 foi, em última análise, uma coisa boa para os usuários da Apple, mas havia uma boa parte de detratores na época. Da mesma forma, um carregador comum seria ótimo e benéfico para todos. Claro, o período para adaptação seria péssimo, mas tenho certeza de que a maioria dos consumidores ficaria entusiasmada por não precisar desembolsar por carregadores proprietários e ainda mais adaptadores (mesmo que algumas pessoas curtam adaptadores).
Apesar de sua relutância, não é impossível que a Apple finalmente abandone os carregadores proprietários para sempre. Afinal, iPads e MacBooks já mudaram para USB-C. Obviamente, isso significaria que a Apple teria que desistir de cobrar caro em acessórios Lightning, o que provavelmente não é o que a empresa quer. Também é possível que a Apple não tenha escolha. O Parlamento Europeu terá que colocar o assunto em votação em uma próxima sessão e, se um tipo de carregador comum for exigido, pode ser mais fácil para a Apple simplesmente cumprir a determinação. Ou talvez a empresa consiga se livrar, mais uma vez, vendendo dongles e adaptadores por aí.

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